O que o novo relatório do GAFI sobre stablecoins significa para desenvolvedores e equipes de compliance
O novo relatório do GAFI (FATF) sobre stablecoins sinaliza a próxima onda de requisitos de compliance para cripto. Veja o que desenvolvedores e equipes de compliance precisam incorporar à sua arquitetura antes que as regras nacionais cheguem.

As recomendações do GAFI (FATF) costumam se transformar em condições de licenciamento. Esta não será diferente.
A Travel Rule do GAFI passou de recomendação a lei aplicável em poucos anos em jurisdições pioneiras como Suíça e Singapura. Em 3 de março, o GAFI publicou o equivalente para stablecoins, o que significa que a contagem regressiva começou.
As recomendações do GAFI seguem um padrão bem estabelecido: começam como orientação e depois se desdobram em regulações nacionais, condições de licenciamento e prioridades de fiscalização. Vimos isso com a Travel Rule, hoje transformada em lei em 73% das jurisdições. Vimos isso com os requisitos de registro de VASPs, em que 90% das jurisdições já adotaram ou estão adotando marcos de licenciamento. Os requisitos específicos para stablecoins são os próximos, e este relatório descreve exatamente como eles serão. O Relatório Direcionado sobre Stablecoins e Carteiras Não Custodiadas é a orientação de compliance focada em stablecoins mais importante até hoje.
Os desenvolvedores que vão definir a próxima fase do mercado de stablecoins serão aqueles que tratarem essas recomendações como algo fundamental. A arquitetura de compliance que eles projetam hoje é uma das melhores vantagens competitivas para ter em mãos quando, inevitavelmente, os requisitos nacionais chegarem.
O que motivou a resposta do GAFI
Os números explicam por que o GAFI agiu agora. Em meados de 2025, mais de 250 stablecoins estavam em circulação, com valor de mercado combinado superior a US$ 300 bilhões. O volume de transações com stablecoins chegou a US$ 33 trilhões em 2025, alta de 72% em relação ao ano anterior. As stablecoins agora representam 30% de todo o volume de transações on-chain com ativos virtuais, e o volume diário de transferências já superou o do Bitcoin.
As mesmas propriedades que tornam as stablecoins poderosas para usos legítimos (velocidade, estabilidade, disponibilidade, alcance global) as tornam atraentes para usos ilícitos. Para contextualizar, em 2020 o Bitcoin respondia por cerca de 70% dos fluxos ilícitos de cripto, e as stablecoins por apenas 15%. Essas posições se inverteram completamente em cinco anos, e o GAFI percebeu. Assim como os reguladores do mundo todo.
O risco central: carteiras não custodiadas e transações P2P
O foco mais incisivo do GAFI está na lacuna que as transações peer-to-peer criam no arcabouço de AML/CFT. Quando as stablecoins circulam diretamente entre carteiras não custodiadas, nenhum intermediário obrigado está envolvido. Isso significa nada de KYC, nada de comunicação de transações suspeitas, nada de cumprimento da Travel Rule, nada de registros que os reguladores possam auditar. Os reguladores vão querer fechar essa lacuna, e provavelmente mais cedo do que a maioria dos desenvolvedores espera.
O relatório documenta como agentes mal-intencionados já exploram essa brecha: fracionando transações por várias carteiras não custodiadas, saltando entre blockchains e usando stablecoins como USDT na rede Tron para pagar por bens proibidos sem nunca passar por um on-ramp ou off-ramp regulado. Os estudos de caso incluem grupos ligados à Coreia do Norte, redes de narcotráfico e operações de financiamento do terrorismo que usam ativamente a infraestrutura de stablecoins.
O que o GAFI espera e o que os desenvolvedores devem projetar agora
O relatório identifica vários controles que provavelmente se tornarão requisitos regulatórios. Os desenvolvedores devem incorporá-los aos seus sistemas agora, em vez de adaptá-los depois:
Controles no nível do smart contract. O GAFI endossa explicitamente recursos de allowlist, denylist, congelamento e queima incorporados diretamente nos smart contracts de stablecoins. A abordagem da Suíça, que exige a verificação de carteiras não custodiadas antes da inclusão em allowlist, é destacada como modelo. Esses recursos são muito mais difíceis de implementar depois que a arquitetura já está definida.
Diligência reforçada para interações com carteiras não custodiadas. Reguladores em Singapura, na Alemanha e em outros lugares já exigem que os VASPs verifiquem a titularidade das carteiras, apliquem limites de transação e realizem análise forense de blockchain antes de processar resgates para carteiras não custodiadas. Plataformas que roteiam ou liquidam fluxos de stablecoins enfrentarão expectativas semelhantes.
Integração de análise de blockchain. O relatório incentiva (e algumas jurisdições já exigem) que emissores e intermediários de stablecoins usem ferramentas de monitoramento on-chain para detectar exposição a endereços de alto risco. Isso está se tornando rapidamente uma expectativa básica de licenciamento.
Contato com autoridades policiais 24 horas por dia, 7 dias por semana. O GAFI recomenda que os emissores de stablecoins mantenham um ponto de contato dedicado e ininterrupto para que as autoridades policiais solicitem congelamentos expeditos. Trata-se de um requisito de infraestrutura operacional que exigirá engenharia de verdade para ser implementado.
Arquitetura de compliance como vantagem competitiva
A maioria das equipes de compliance em cripto ainda opera de forma reativa: espera as regras finais e depois corre para adaptar seus sistemas. Essa abordagem funcionava quando a superfície regulatória era pequena. Ela não funciona quando o GAFI sinaliza requisitos simultâneos em design de smart contracts, verificação de carteiras, cooperação com autoridades policiais e monitoramento entre blockchains – que é o que acaba de acontecer.
As equipes que vão escalar melhor quando as regras nacionais chegarem são as que já incorporam esses controles à sua arquitetura como infraestrutura central desde o primeiro dia. São decisões de design que se tornam exponencialmente mais difíceis de implementar após o lançamento.
Na Sphere Labs, é assim que abordamos a infraestrutura desde o início. Nossa arquitetura de compliance foi projetada para acomodar exatamente o tipo de controle que este relatório descreve, porque a trajetória já estava clara muito antes da publicação do relatório. Poucas equipes tiveram essa vantagem de tempo, e isso é parte do motivo pelo qual acreditamos que o design com compliance nativo vai separar os projetos que escalam daqueles que estagnam.
A janela para construir de forma proativa está aberta agora. E não vai ficar aberta por muito tempo.
O relatório completo do GAFI está disponível aqui
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